sábado, 12 de abril de 2014

MEMBRO: Celina Portocarrero



Celina Portocarrero

·         Poeta, tradutora, antologista, nasceu em 1945 no Rio de Janeiro, onde vive.
·         Autora de Retro-Retratos(poesia, 7Letras, 2007) eA princesa e os sapos (poesia infantil, Memória Visual, 2013). Tem poemas incluídos na revista Poesia Sempre da Biblioteca Nacionale em diversos sites de literatura brasileira.Organizou, entre outras, a antologia Amar, verbo atemporal: 100 poemas de amor (Rocco, 2012).
·         Tradutora experiente, trabalha com francês, inglês, espanhol e italiano. Por Um amor de Swann, de Marcel Proust (L&PM, 2005) recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura.
·         Coordena, desde 2007, oficinas de tradução literária (aulas na Estação das Letras, na Livraria da Travessa e em encontros individuais).
·         Sua empresa, Portocarrero Arte&Texto, oferece serviços de leitura crítica e carpintaria poética e presta assessoria e orientação a autores e tradutores iniciantes.
·         Em 2009 e 2011, colaborou na curadoria do Café Literário da Bienal do Livro do Rio de Janeiro. No mesmo evento, participou como mediadora do Café Literário e do Encontro com o Autor em 2009, 2011 e 2013.
·         Compareceu, como autora convidada, à Fliporto – Feira do Livro de Pernambuco (2013), ao 15º Salão FNLIJdo Livro para Crianças e Jovens (2013), ao Café Literário Off-Flip (2012 e 2011) e ao Fórum de Letras de Ouro Preto (2011).
·         Em 2012 e 2013 prestou serviços de tradução, redação e revisão à Academia Brasileira de Letras.
·         Em 2013 foi membro da comissão julgadora do Prêmio Alphonsus de Guimaraens (Poesia) da Biblioteca Nacional.
·         É membro do Pen Clube do Brasil desde 2009.
·         Convidada pelo Centro de Artes CAMAC, volta a residirde maio a julho de 2014em Marnay-sur-Seine, na França, onde desenvolverá diversos projetos editoriais.
·         Mais informações em www.portocarrero.art.br

Alguma poesia

·         vertigo
chega mesmo a ser um vício
isso de viver tentando
escapar ao precipício

·         mesmice
– estou oca –
melhor louca
que assim pouca

·         Pneumotórax pós-moderno
Febre, dispnéia e tremores diurnos. Sem hemoptise.
Vida inteira que se foi e recomeça a ser.
Tosse, pouca.

Não veio o médico,
que em tempos novos há que se ir a eles.

– Respire.
(Onde foi parar o trinta e três?)
– É preciso confirmar com raios-X.

Infecção na base do pulmão direito.
Antibióticos de doze em doze horas.
Repouso.

– Mais alguma recomendação, doutor? Eu deveria...?
– Não, nada tão grave, basta um pouco de bossa-nova.

·         Em causa própria
Que se redija uma lei que impeça amigo de virar estrela.
(Estátuas também serão proibidas.)
Por tal lei estará obrigado qualquer amigo
a se fazer ouvido
ainda que quando e se depois de ido.
Que se promulgue um decreto (nada discreto)
que determine a invalidade da ausência.
E um adendo que não permita sofrimento,
e que, pela eternidade do momento,
de tal amigo nos garanta
a sempiterna sempre terna permanência.
Pelos séculos dos séculos,
amém.

·         enovelamento
sou talvez linha lilás
cerzindo sem ter agulha
esgarçaduras da alma
uns rasgos do esquecimento
resoluções já puídas
às vezes em ponto cheio
às vezes ponto de cruz
ou quem sabe ponto-atrás
que vírgula aqui não cabe
e exclamação não se sabe
fazer com linha lilás

·         à beira de um almodóvar
E se ataques não tiver,
se algum drama não fizer,
como conservar a calma
nessa alma
                    de mulher?

·         Qual Federico
Sendo reais apenas os símbolos,
seja em louça verde
servido o café da manhã.
Ao menos às segundas-feiras.

·         Quebra-quebranto
Urge criar invisível muro
que me proteja
de funestos males,
silentes nuvens,
pesados fluidos
que à noite rondam
e se intrometem,
entre mim e o sono
entre o sonho e a paz.

Urge tecer delicado manto
que me resguarde
do sopro denso
de alheias penas,
que a mim isole
do fardo imenso
de quem não sabe
ou não quer mesmo
dormir feliz.

Urge entoar
cantos e cânticos,
aprender passos,
receber passes,
pedir bênçãos.

Urge
com todas as ervas
de todos os matos
me lavar,
em todas as cores
de todas as flores
me banhar.

Urgem rezas,
mandingas e
oferendas
que me libertem
dos maus bruxedos
e me permitam
sem quaisquer medos
amanhecer
em tons pastel.




Um comentário:

  1. Falar sobre Celina Portocarrero é pensar na verdadeira Amizade. Sentir a alegria do encontro. A melancolia, a sabedoria principalmente os grandes amigos-irmãos na Poesia. Lembro perfeitamente do nosso primeiro encontro. De lá para cá nunca mais nos separamos, o que é verdadeiro não acaba-se por nada. Grande poeta, grande contadora de histórias, grande amiga, grande profissional. Salve Celina, minha amiga querida. Vai, mas volta. Beijos..

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